O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgou na semana passada uma pesquisa feita com 9.105 pequenos empresários de todo o país e mapeou os impactos da crise Covid-19 na visão deles sobre seu setor, que responde por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Infelizmente, um dos principais impactos está relacionamento ao faturamento. Segundo os entrevistados, 89% deles já enfrentam queda na receita mensal diante da pandemia. Quanto a média no período, a queda no faturamento é de 64%.

Esses números, em grande parte, são motivados pelo fechamento de lojas físicas e pela própria mudança de comportamento do consumidor, que busca evitar aglomerações. Além disso, em momentos de crise, muitos consumidores preferem gastos não essenciais.

A pesquisa foi a primeira de uma série que passará a ser realizada quinzenalmente pelo Sebrae. De acordo com o presidente da instituição, Carlos Melles, atenção especial precisa ser dada ao segmento “que é o que mais emprega e o que o menos desemprega no país, por causa das relações de confiança que envolve e dos ambientes quase familiares que cria”.

“O desemprego é o pesadelo do brasileiro nesta hora e não podemos correr o risco de quebrar esses pequenos negócios”, disse Melles. O setor inclui do varejo tradicional à moda, alimentação, construção civil, beleza e serviços educacionais.

Custos

Dos empresários entrevistados, 44% afirmam que despesas com aluguel e mercadorias são mais pesadas. Custos com pessoal e empréstimos também são itens citados como importantes nos custos das empresas.

Há um consenso entre os entrevistados que é em relação à redução de impostos e taxas, subsídios para pagamento da folha de salários, descontos em tarifas de água e luz, além de aumento de linhas de crédito.

Nesta semana, o próprio Sebrae anunciou que destinará no mínimo 50% da sua arrecadação à ampliação do crédito para pequenos negócios. A operação de socorro deve começar com R$ 1 bilhão em garantias e permitirá conceder aproximadamente R$ 12 bilhões em crédito, por meio do Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe) – que pode alavancar empréstimos no valor de 8 a 12 vezes o seu patrimônio.

“Um dos maiores obstáculos no acesso dos pequenos negócios a crédito é a exigência de garantias pelas financeiras, e estamos tentando colocar no circuito bancos, fintechs e cooperativas para pensar soluções”, afirmou o presidente do Sebrae.

Como minimizar esse impacto

De acordo com o Sebrae, enquanto não se tem uma política pública específica para esse tema, é importante que o empresário busque negociar valores, prazos e formas de pagamento de forma a diminuir os impactos. Renegociar com fornecedores é uma outra alternativa importante que pode ser acionada.

Para o quesito colaboradores, a medida provisória 927 oferece ao empresário várias alternativas que flexibilizam as relações de trabalho e oportunizam a manutenção dos empregos e das atividades. Estão sendo discutidas outras medidas que podem beneficiar aqueles empresários que mantenham empregos. Fique atento!

Crédito

Nesse momento de queda brusca de faturamento, a busca por crédito pode ser um caminho para aliviar o caixa. Não à toa, 54% dos empresários declararam que vão precisar de empréstimos para manter sua empresa em funcionamento sem gerar demissões. Outros 31% declararam ainda não saber se precisarão. Apenas 15% declararam que não precisariam de novos empréstimos.

Políticas Públicas

É indiscutível: por mais que os pequenos façam a sua parte, o momento pede a ajuda do poder público para garantir a manutenção desses negócios no mercado. Quando perguntados sobre quais as políticas públicas que trariam mais impactos positivos estão a redução de impostos e taxas (40%), o subsídio para pagar salários e outros custos fixos (38%), a redução das tarifas de água e luz (32%) e a ampliação de linhas de crédito (26%).

O que fazer, segundo o Sebrae?

Para finalizar a pesquisa, o Sebrae fala sobre quatro pontos:

1 – Resiliência para manter o foco no replanejamento e busca por oportunidades.
2 – Estratégia para transformar os insights e ideias em planos de ação focados na mudança.
3 – Reinvenção para mudar a forma de gestão do negócio, dos colaboradores, dos fornecedores e do posicionamento (Leia sobre inteligência emocional aqui)
4 – Ação: o Sebrae possui um canal apenas para o momento Covid-19 lançando conteúdos diários de apoio aos empresários. Além disso, a instituição está construindo parcerias com a iniciativa privada e poder público para ajudar o pequeno negócio a sair mais forte desta crise.

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