Com a realidade de uma eventual cura para a Covid-19 ainda distante, muitas dúvidas aumentam em relação à recuperação econômica mundial. E no Brasil, as expectativas não fogem muito das incertezas, ainda que existam estimações sendo traçadas para a recuperação após a crise ocasionada pela pandemia.

A projeção oficial do governo federal é de que o PIB brasileiro vai encolher em média 4,7%. No entanto, o mercado financeiro prevê uma queda de mais de 6% com a paralisação da economia e risco de uma nova rodada de contágio do novo coronavírus como já é visto em alguns países asiáticos.

O último Relatório Focus, do Banco Central (BC), estimou queda de -6,50% para -6,54% no comparativo aos últimos relatórios. Mas ao que tudo indica, o Brasil segue inclinado para uma leve retomada econômica. O que pode acabar contribuindo para melhoras as projeções.

Na última semana, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apontou que a retomada econômica do Brasil tem ocorrido em forma de “V”. O assunto foi comentado pelo economista durante uma transmissão ao vivo no Facebook.

“Primeiro a gente teve uma queda muito abrupta e rápida. Quando a gente analisa isso, você tem obviamente uma tendência do primeiro movimento de volta ser mais rápido também”, disse Campos.

O especialista ainda citou uma projeção de queda pessimista no PIB de 6,4% em 2020. Para essas previsões, os especialistas do mercado econômico-financeiro dão as nomenclaturas V, U, W e L. O Portal Vitrine do Varejo explica cada uma delas abaixo e sinaliza qual seria a mais provável, segundo o governo.

Recuperação x Cenário V

Em entrevista à BBC, o diretor da Escola de Administração da Universidade Católica do Chile, José Tessada, salientou que esse seria o cenário mais otimista para a economia mundial.

“Recessões boas não existem, mas a V tem uma queda pronunciada e uma retomada igualmente pronunciada. A ideia é que volta-se a um nível muito similar ao inicial e que a recessão é relativamente rápida”, comentou.

A letra do alfabeto exemplifica uma redução forte do PIB, porém com a retomada econômica breve também. O economista Ricardo Amorim lembra que este é o cenário defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Contudo, ele acredita que não deve ocorrer.

“Um processo de recuperação em V é a aposta do governo, que afunda rápido, mas volta rápido ainda. Segundo Paulo Guedes, a partir de julho o Brasil deve entrar nesse processo”. A informação foi obtida em vídeo postado em suas redes sociais.

Amorim defende, por sua vez, uma recuperação em U para o Brasil.

Cenário U

A recessão econômica em forma de U, segundo Tessada, é aquela em que “se entra e se sai, mas ficando [com crescimento] baixo um pouco mais de tempo, sendo custoso sair [da crise]. A recuperação é difícil, mas com o tempo se sai e se volta a um nível igual ao anterior”.

Essa também é uma possibilidade apontada pelo governo federal. E defendida por Rodrigo Amorim como a mais provável de ocorrer com o Brasil. Basicamente ele explica que a recuperação em U, afunda, fica em baixa por um período e depois retoma o crescimento.

“Muita gente não podendo trabalhar normalmente e mesmo a volta sendo gradual, com riscos de idas e vindas. Sendo assim, deve demorar algum tempo [para subir], mas quando vier a recuperação será mais para o final do terceiro trimestre, quarto ou até no começo do ano que vem que a gente vai ver uma recuperação forte”, defendeu o economista.

Cenários em W e L

O cenário poderia ser ainda mais crítico com uma nova curva de contágio que exemplificasse esse processo de recessão em W. Segundo José Tessada à BBC News Mundo, o W é quando se entra e sai em recessão, mas depois volta a cair novamente.

O economista defendeu que, embora aparenta ser uma realidade um pouco mais distante para o país, é algo que deve ser considerado.

“Em W afunda [a economia], começa a melhorar, aborta, vem a piora de novo e a melhora. O que causaria isso seria um novo surto [do coronavírus], é uma possibilidade infelizmente real. Países da Ásia estão passando por isso”, lembrou Amorim.

A situação pode se agravar ainda mais se tivermos um cenário em forma de L. Mas, segundo Ricardo, é basicamente uma economia afundada por anos e sem perspectiva de retomada a curto e médio prazo. Isso ocorreria no caso da impossibilidade de encontrar uma vacina contra a Covid.

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