Os tempos de crise e pandemia impactam diretamente nos valores dos itens nas gôndolas. Nas últimas semanas, o arroz e a carne, por exemplo, estamparam os noticiários com a alta expressiva dos produtos. Mas o óleo de soja, sem sombra de dúvidas, foi o que liderou as variações. Conforme análise da Associação Paulista de Supermercados (Apas).

Em setembro, o óleo ficou pelo menos 30,62% mais caro. O produto também ocupou o primeiro lugar na lista dos 10 maiores aumentos. Tanto no acumulado do ano como dos últimos 12 meses, atingindo as variações de 61,76% e 72,32%, respectivamente.

De acordo com o presidente da Apas, Ronaldo dos Santos, a alta do óleo pode ser explicada pela variação do dólar, que impactada na principal matéria-prima do óleo, a soja, além da demanda chinesa pelo grão devido à necessidade de o país reconstruir o rebanho de suínos, que necessita da soja para se alimentar.

“A exportação do grão ocasiona a escassez no mercado interno, o que aumenta o custo na produção do óleo e eleva o preço do produto. Acreditamos que o cenário não deve mudar até o início de 2021, para quando está previsto um aumento da safra”, explicou.

Óleo de soja x outros produtos

O óleo de soja esteve à frente de produtos como o pepino (18,24%), mandioca (17,89%) e arroz (16,98%). Isso segundo os percentuais apurados para o mês de setembro. Já no acumulado dos últimos 12 meses aparecem ainda entre as maiores altas a costela bovina (53,16%), arroz (51,26%) e acém (48,88%). Ou seja, o cenário econômico atual também está impactando nos cortes de carnes mais populares.

A motivação para isso é também a China. Conforme a Apas, devido a dificuldades de não conseguir repor o rebanho suíno afetado pela peste africana. Com isso, o país tem comprado direto dos frigoríficos brasileiros, que permanecem com o aumento de preços motivados pela venda em dólares.

Além disso, a exportação da soja também afeta o mercado de proteína animal no formato da ração. O que representa de 70% a 80% do custo de produção dos animais.

Variação por grupos

O levantamento ainda trouxe os reflexos por atividade e grupo de itens comercializados no varejo alimentar por mês, no acumulado dos 12 meses e anual. Veja abaixo a tabela completa da Apas.

Em relação aos produtos industrializados, houve uma variação de 10,55% no acumulado dos últimos 12 meses. Os óleos sofreram o maior impacto (43,21%), à frente de derivados de carne (15,85%), de leite (13,03%) e adoçantes (12,97%).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Varejo alimentar

Ainda baseado nas estatísticas da associação, a inflação do varejo alimentar foi praticamente o dobro da verificada no ano passado. A inflação geral no setor varejista alimentar acumulada até setembro foi de 8,3%. Em 2018 e 2019, para todo ano, o saldo foi 4,33% e 5,73%.

“O aumento do desemprego e as dificuldades de renda do brasileiro refletem nas escolhas do consumidor, que sente esta inflação causada por um câmbio desvalorizado frente ao dólar”, concluiu Santos.

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