A China é uma das maiores potências mundiais não à toa. Pioneira em diversos mercados, no varejo se destaca pela inovação e se consolida como o mais dinâmico de todo o mundo. Dona do maior segmento de e-commerce entre as nações, os chineses servem de modelo para negócios inovadores e inspiram as tendências de varejo para os demais países graças ao chamado “New Retail”, ou simplesmente Novo Varejo.

Realizado recentemente pela BTR-Varese, o seminário digital “China pós Covid-19: o papel da Inovação e Ecossistemas” mostrou as formas pelas quais a China vem influenciando a economia mundial por meio da digitalização e da tecnologia, que passam a exercer função determinante nessa transformação do varejo.

As mudanças se fazem necessárias especialmente em razão do “boom” de smarphones, que passou a conectar ainda mais as pessoas e mudar o comportamento dos consumidores, uma vez que se compreendeu a praticidade trazida por essa mobilidade virtual.

De acordo com o sócio da BTR-Varese, Eduardo Terra, ao abrir o evento online, 80% dos brasileiros contam com acesso à internet em casa e 220 milhões de smartphones. Esse acesso rápido às informações via mobile fez com que o cliente passasse a ter uma relação maior com os produtos e as marcas que ele tem a intenção de consumir.

Ultrapassando as fronteiras

Outro fator que leva o modelo chinês a se destacar dentre tantos outros varejos é quanto ao e-commerce transnacional ou “cross border”. Ou seja, o comércio online transpassa as barreiras territoriais do país e atende consumidores do mundo inteiro.

Uma pesquisa feita pela Fierce Retail revelou que 82% do público entrevistado informou que já comprou de sites do exterior. Em 2017, a Pitney Bowes revelou que 70% dos compradores entrevistados de 12 países já compraram em sites internacionais.

Entretanto, o DHL estima que o e-commerce cross border poderá ser ampliando em 25% até o final deste ano. Com vendas, por exemplo, que poderiam superar o montante de US$ 900 bilhões no período.

Mudança de perspectiva

O Novo Varejo também traz um conceito diferenciado de loja. Ele integra o ambiente físico e virtual, sem deixar a desejar na jornada de compra. Mais do um ponto de venda, a loja passa a se tornar um espaço multidinâmico, digitalizado e inovador.

A experiência satisfatória é o objetivo principal tanto para o consumidor, quanto para o varejista. Um exemplo interessante dessa tendência é a rede supermercadista Fresh Hippo, do grupo Alibaba. Inclusive foi o fundador e presidente da empresa, Jack Ma, que apresentou o conceito do new retail em 2016.

A Fresh Hippo é vista como um dos principais cases de sucesso do novo varejo. Os produtos e as plataformas digitais disponíveis pelas lojas da rede são integrados. O intuito é fornecer o máximo de informações ao cliente, antes de ele se sentir convencido a levar o produto.

Por meio da tecnologia de QR Code, o cliente pode escanear o peixe fresco com o próprio telefone e receber instantaneamente os dados de como, onde e quando ele foi pescado. Também é possível acompanhar toda a logística de entrega que o alimento passou até chegar ao supermercado. Além disso, o cliente ainda acessa receitas de preparo com o produto.

O cliente também pode fazer suas compras com a tranquilidade de não carregar nenhuma sacola para a casa. Isso porque o delivery do Fresh Hippo entrega as compras em no máximo meia hora, dentro de um raio de três quilômetros da loja.

Formas de pagamento Novo Varejo

Por fim, é preciso destacar que o Novo Varejo chinês – onde as compras em dinheiro já representam 60% do total – inova nas formas de pagamento para facilitar ainda mais a vida dos consumidores. A maioria das transações são feitas virtualmente.

A varejista Alibaba e a empresa de tecnologia Tencent foram pioneiras nesse quesito nos anos 2009 e 2013, respectivamente. O Alibaba, por meio do Taobao, lançou um aplicativo para celular para fazer pagamentos também no varejo tradicional. Enquanto o WeChat Pay é uma carteira virtual dentro do WeChat.

O Brasil, nos últimos anos, também passou a contar com vários serviços de pagamentos virtuais. Uma grande inovação, que deve ser colocada em prática em breve, é o Pix. O serviço de pagamentos instantâneos tem como objetivo permitir a realização de transferências e pagamentos em até dez segundos. A ferramenta foi anunciada pelo Banco Central do Brasil. E o objetivo é reduzir o custo das operações de pagamentos e transferências financeiras.

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