Segundo os últimos dados publicados pela Organização das Nações Unidas (ONU), no relatório The Global E-waste Monitor 2020, o Brasil produziu mais de 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019.

O país está atrás da China (10,1 mi de toneladas), Estados Unidos (6,9 mi), Índia (3,2 mi) e Japão (2,5 mi). É muito lixo produzido no país e a forma como esse material é descartado também preocupa. A solução encontrada por muitas empresas está na logística reserva.

Já ouviu falar sobre esse termo? Em resumo, são ações para recolher e dar a destinação correta de um produto usado. Muitos, por desconhecimento, acabam colocando no lixo comum certos itens eletrônicos e a logística reserva vem para evitar que isso aconteça. Acaba sendo uma parceria entre empresas e consumidores em busca do descarte certo de produtos.

Logística reversa no Brasil

O Magazine Luíza, por exemplo, anunciou em junho que instalará pontos de coleta de lixo eletrônico em 33 lojas da Grande São Paulo. E a expectativa é ampliar para mais de 500 em todo país até o final do ano. Para tal ação, foi firmada uma parceria com a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree), que será responsável pela coleta e destinação correta de fones de ouvido, secadores de cabelos, geladeiras, aparelhos de TV, entre outros.

No Brasil, existe uma legislação que rege o tema. A Lei 12.305/10, denominada Política Nacional de Resíduos Sólidos, atribui ao fabricante a obrigação de dar o destino aos resíduos, cabendo aos proprietários dos equipamentos entregá-los para que possam ser corretamente descartados e reciclados.

Já o Decreto nº10.240/2020 normatizou o sistema de logística reversa no país, estabelecendo um percentual de equipamentos a serem coletados e o de municípios com serviços de logística reversa. A expectativa é a 400 cidades atendidas até 2025.

Parceria

A Abree é uma entidade gestora sem fins lucrativos que completou 10 anos de fundação em 2021 e conta com 50 associados que representam 170 marcas. Ela é responsável pelo gerenciamento do sistema através da contratação, fiscalização e auditoria dos serviços prestados por terceiros para a implementação de sistemas coletivos de logística reversa.

Além disso, contribui com informações para todos os envolvidos da cadeia que são responsáveis para a viabilização da logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos no país.

O Portal Vitrine do Varejo conversou com o presidente da Abree, Sergio de Carvalho Mauricio, que falou sobre como aderir ao programa de descarte consciente da entidade.

Como ser um ponto de coleta desse material?

Para se tornar um ponto de recebimento de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, o varejista precisa firmar um termo de parceria com a ABREE, disponibilizar o espaço necessário para o armazenamento temporário dos produtos e comunicar adequadamente os seus consumidores.

Quais materiais podem ser descartados?

Todos os tipos de equipamentos devem ter um descarte ambientalmente correto. A ABREE gerencia este processo, desde o descarte de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos até a destinação de forma ambientalmente correta. Em nosso site, temos uma lista completa de indicações.

São algumas delas: frigobar, ar-condicionado, aspirador de pó, celular, computador, fogão, micro-ondas, secador de cabelo, televisão, HD externo e ferro elétrico.

Depois de juntar esse material na loja, o que é feito?

O ponto de recebimento dentro da loja geralmente está localizado num determinado espaço estratégico para que o consumidor tenha uma boa visualização para que ele consiga fazer o descarte ambientalmente correto do produto (que está em fase final de vida útil).

Lá o consumidor encontrará um atendimento especializado para tirar dúvidas do cliente sobre o descarte. Caso o consumidor for descartar equipamentos grandes como fogão e geladeira, ele pode chamar o responsável da loja para seguir as instruções corretamente de como fazer este descarte em especial.

Os consumidores podem verificar no nosso site qual é o ponto de coleta mais próximo dentre os mais de 1.300 que a ABREE já possui espalhados por todo o país.

Depois que o material já se encontra no ponto de recebimento, o trabalho da ABREE começa. Os equipamentos serão transportados e enviados para empresas de manufatura reversa, que começa a subdividir os componentes para dar início a reciclagem ambientalmente correta de cada componente específico.

Tem custos para ser um ponto de coleta?

Não há custo operacional. A ABREE se organiza com as operações do varejista, podendo realizar a coleta no Centro de Distribuição da empresa para melhorar a dinâmica operacional, tendo em vista que os varejistas já realizam retirada de volumes de loja.

O coletor precisa ser desenvolvido com o varejista. Caso tenha a necessidade de dispensar um coleto devido a complicações de espaço em loja, é necessário, nestes casos, apresentar meios de comunicação alternativos junto ao consumidor sobre este tema, para que o varejista possa receber os produtos do consumidor.

Qual a estrutura necessária para ser esse receptor de materiais?

A estrutura necessária é o desenvolvimento de coletores em loja ou de meios de comunicação mais ativos sobre a coleta de equipamentos para reciclagem, para que aconteça a recepção dos produtos entregues pelo consumidor.

Apresentar também espaços mais reservados, como no fundo de loja para guardar os produtos que não couberem no coletor, é indicado também para o setor varejista.

Naturalmente, o time de loja precisará ter conhecimento da prática de coleta de produto para a reciclagem, pois é importante atender o consumidor com o máximo de detalhes sobre este processo, com objetivo de orientá-lo e repassar informações atualizadas de como é feita a recepção do produto a ser descartado na loja.

Já pensou em ser um ponto de coleta de resíduos de eletroeletrônicos e eletrodomésticos? É uma boa forma de se tornar referência dos clientes com a oferta desse serviço. Além de ser uma atitude sustentável, já que estará cuidando do descarte correto do material e contribuindo para o meio ambiente. Pense nisso!

Gostou desse conteúdo? Se inscreva na nossa newsletter e receba conteúdos como este gratuitamente e em primeira mão!

Leia também:

Mercado de esmaltes cresce quase 9% no primeiro quadrimestre
Mundo digital atrai mais consumidores durante a pandemia

 

 

Conteúdo Relacionado

black-friday-2021
News

Intenção de compras na Black Friday 2021 cresce 29%

24.agosto

Uma pesquisa da Offerwise, encomendada pelo Facebook, mostra que a intenção de compras na Black Friday 2021 será 29% maior do que no ano passado. Ainda de acordo com o levantamento, a preferência dos consumidores será por compras feitas no ambiente online. Outros 41% disseram que preferem as lojas físicas para realizar as compras. Foram entrevistados […]

delivery-e-supermercados
News

Delivery e supermercados despontam na internet durante a pandemia

22.junho

A comodidade e a segurança de comprar pela internet fez com que os serviços de delivery e supermercados despontassem na pandemia. Em novo estudo em parceria com a Offer Wise, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que 91% dos internautas brasileiros compraram na web nos últimos 12 meses. Das mais de 20 categorias […]

eletronicos-pandemia
Eletro

Eletrônicos: de olho nos itens mais procurados na pandemia

20.janeiro

O isolamento social causado pela pandemia da Covid-19 mudou o dia a dia de muitas famílias. E, consequentemente, as atividades que aconteciam fora de casa, como trabalho, exercícios físicos e alimentação passaram a ser realizadas em casa. Com essa alteração no comportamento do consumidor, o chamado de “novo normal”, houve um aumento no consumo de […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *