Um conceito que se consolidou no ramo de startups e hoje ganha abrangência em todos os segmentos econômicos também precisa estar inserido na rotina dos varejistas: inovação corporativa. Inovar se afasta cada vez mais da ideia de altos investimentos em tecnologia e se aproxima de estabilidade do negócio.

Repensar as estratégias de venda e processos internos passou a ser dever de casa diário para qualquer empresário. A inovação corporativa vai atuar justamente nessa esfera a fim de tornar a loja mais competitiva no mercado, com um atendimento que seja referência no ramo e melhor organização dos processos.

Também vai ser um método que vai ajudar o lojista a driblar melhor os riscos e perdas e aproximar, ou até mesmo superar, as expectativas do consumidor. Para trazer informações detalhadas e tirar dúvidas sobre o assunto, o Portal Vitrine do Varejo convidou o CEO e fundador da FCJ Venture Builder, Paulo Justino.

O que é e Inovação Corporativa?

O termo Inovação Corporativa é utilizado para definir o processo de aproximação das empresas com soluções inovadoras, visando agregar ao seu negócio novos métodos, processos, produtos, serviços ou mesmo novas companhias, também conhecido como Corporate Venture. A Mckinsey classificou em 3 horizontes a inovação corporativa em seu framework:

Horizonte 1: Soluções que buscam a proteção e maximização do negócio principal;
Horizonte 2: Oportunidades emergentes, iniciativas que provavelmente gerarão lucros substanciais no futuro, mas que podem exigir um investimento considerável
Horizonte 3: Soluções disruptivas, criação de novos negócios genuínos, indo além do Core Business atual das companhias.

Neste sentido a inovação corporativa pode ser classificada em 2 dimensões: aberta ou fechada e interna ou externa. A inovação fechada é o movimento de inovação promovido dentro da organização, ou seja, através de programas de estímulo à inovação interno, quer seja através de departamento de P&D, quer seja através de programas de intraempreendedorismo (intrapreneurship), escalando um time para o projeto e, por fim, promover e comercializar o produto.

Já a inovação aberta parte do princípio de que uma empresa, por mais inovadora que seja, nunca vai conseguir reunir todas as mentes mais brilhantes para encontrar as soluções mais inovadoras. O foco está na redução do “time do market”. Para isso, a corporação busca a interação com outros agentes do mercado, tais como startups e universidades, utilizando práticas como: hackathon, coworking, incubação, programas de aceleração, programa de contratação através de desafio, Corporate Venture Builder, Corporate Venture Capital e por último aquisição (M&A).

Os programas de inovação (aberto ou fechado) podem ser executados internamente ou externamente.

Como seria, então, a execução desses programas de inovação?

No programa interno, normalmente a empresa cria um LAB ou Coworking e desloca um profissional para assumir esta área de inovação, ou busca no mercado um profissional ou mesmo uma empresa para executar o programa internamente. Em sua grande maioria são programas de Aceleração, em uma tentativa de transformação digital, porém esta iniciativa interna enfrenta alguns problemas:

Nasce com mesmo mindset da organização, quer seja em go-to market, processo e entendimentos jurídicos, métodos tradicionais de vendas, aversão ao risco, problemas de compliance, normalmente as organizações são reguladas, desta forma a inovação pode ser visto como um risco institucional.

Os “anticorpos” organizações sem dúvida é o maior problema. De forma geral, os colaboradores acabam por “sabotar” a inovação com medo de perderem o emprego ou por entender que é mais trabalho, sem aumento no ganho, fazem porque a organização obriga, têm baixo comprometimento, falta o que chamamos de “skin in the game”. Normalmente está vinculada a uma pessoa ou empresa, quando estas saem por qualquer motivo o processo para ou volta à estaca zero. Este ambiente cria uma distração, muitos executivos perdem ou reduzem o foco no negócio (core business) da organização.

No programa externo, por sua vez, normalmente contrata-se uma empresa que fica responsável por todo o processo de inovação. Neste caso podendo ser programa de aceleração ou contratação para um desafio específico. Este cenário resolve boa parte dos problemas dos programas internos, porém por se tratar de contratações temporárias, cria outro problema que é a dependência com as empresas contratadas e não há internalização do mindset empreendedor.

Em alguns casos, a contratada realiza o seu trabalho de aceleração ou identificação das startups que resolvem os desafios, e deixa a cargo da empresa o desenvolvimento e integração entre startup e empresa, que possuem realidades totalmente diferentes. Normalmente são programas que têm prazo de duração entre 3 a 6 meses, tempo insuficiente para a geração de negócios reais entre as startups e a organizações, no máximo tempo para a execução de uma prova de conceito ou projeto piloto.

Por que ela é necessária?

A inovação é uma realidade mundial, e é cada vez mais fator decisivo de sobrevivência das organizações. O principal concorrente de hoje não é outra organização com porte semelhante, é uma startup que nasceu em uma “garagem”, é um fato que tem desbancado grandes empresas. O que não falta são exemplos em nosso dia a dia, como Uber, Airbnb, Nubank, Loft e Ifood, sem citar as mais de 600 startups Unicórnios (Startup que valem mais de 1 bilhão de dólares) em todo o mundo.

As principais vantagens para corporações são: aproximação do Mindset empreendedor, complementaridade dos negócios, retorno financeiro sustentável e retenção e atração de talentos.

Como fazer com que esse processo faça parte da empresa?

O que propomos para as iniciativas de Corporate Venture é que a organização inicia o seu processo com o Corporate Venture Builder (Open Innovation e externo), após adquirir experiência e portfólio possam lançar o seu Corporate Venture Capital, neste caso um FIP/CVM. Desaconselhamos abordagem superficiais, como hackathon e iniciativas como incubadoras, que entendemos ser papel do governo, bem como as aceleradoras, à corporação não tem que acelerar startups, tem que focar e melhorar os seus negócios.

Desde 2013, a FCJ vem desenvolvendo um modelo de Venture Builder como alternativa aos modelos de aceleração e incubação, e que pudesse resolver as principais questões levantadas anteriormente, passando a licenciar o seu modelo para a criação de Corporate Venture Builder que tem como objetivo reduz o risco da organização, dos investidores e das startups, com uma visão de curto, médio e longo prazo e com uma experiência de 7 anos.

Como é o modelo proposto?

O modelo proposto tem como principais pontos a inovação aberta e externa, através da criação de uma nova empresa onde a corporação tem o controle acionário com 51%, permitindo, desta forma, ter a agilidade e flexibilidade necessária para desenvolver e fomentar a inovação.

Participação dos executivos da corporação no processo de seleção (Comitê de seleção) e de acompanhamento das startups, no Conselho de Administração e Conselho Fiscal de forma pontual e programada.

Possibilita ainda aos executivos e colaboradores serem investidores desta iniciativa, através de programas de incentivos internos, com o objetivo de retenção e atração de talento criando o espírito de pertencimento, “skin in the game”.

Mapeamento das oportunidades de melhoria da Corporação para a geração e priorização dos backlogs para o processo de busca de startups, mapeamento de “dores” com demanda reais.

É contratada e treinada uma equipe dedicada e exclusiva para esta nova empresa, para fazer todo o processo de seleção e desenvolvimento da startup, utilizando a metodologia da FCJ e a integração destas startups com a corporação, dentro das diretrizes definidas pelo Comitê de seleção de startups.

Acesso ao Centro de Serviço Compartilhado (CSC) especializado em startups, com jurídico, contábil, marketing, mentoria, rede de franquia e fundraise.

Acesso a uma rede mundial de mentores, executivos, investidores que compõem o grupo FCJ.

O Grupo FCJ entra como investidor implementador da iniciativa “skin in the game” entrando no risco da operação.

Cases do Varejo Ventures e Farma Ventures, com foco no varejo que é nosso público

Gostaria de compartilhar o case de Inovação Corporativa da Farma Ventures, que surgiu do interesse das Redes Farmácias – Drogal de Piracicaba e Indiana de Teófilo Ottoni, que juntas têm mais de 340 lojas presente em 180 cidades, apoiadas pela Top Capital em aproximar das startups, buscando, contudo um modelo que tivesse governança corporativa, segurança jurídica e não criasse um ambiente de distração dos executivo.

Durante a pesquisa por soluções conheceram o modelo de Corporate Venture Builder da FCJ Venture Builder. Diferente de outros iniciativas, o modelo proposto é a criação de uma nova companhia (inovação aberta externa) onde as empresas envolvidas se tornaram acionistas. Desta forma, o quadro de investidores da Farma Ventures é composto da Drogal, Indiana, Top Capital e FCJ, abrindo ainda a oportunidade para os colaboradores e outras empresas do setor se tornarem investidores.

A Farma Ventures tem o foco de solucionar as “dores” da Drogal e Indiana. Porém, o foco é todo o mercado varejo farmacêutico, criando, desta forma, círculo virtuoso, onde a Drogal e Indiana atuam como early adopter para que as startups possam ter cases reais de empresas de grande porte.

O projeto foi lançado no dia 11 de março de 2020, em plena pandemia. Neste período já foram avaliadas mais de 340 startups e, atualmente, 6 startups fazem parte do portfólio com projetos e implementações em andamento.

Já o Varejo Ventures é uma Corporate Venture Builder, em parceria com a CDL-BH, que possui 12 mil associados e tem como objetivo selecionar e desenvolver startups que atendam as necessidade dos pequenos varejista de todo o país, com parceria da CDL Jovem nacional que tem o meta de levar inovação para todo o sistema CDL do Brasil através do projeto Inova Varejo.

O grupo FCJ está em fase final de negociação com a Universidade Martins do Varejo (UMV) para levar o Flix do Varejo, através do seu programa Flix Lite, para o ecossistema de inovação brasileiro através da Farma Ventures e Varejo, impactando milhares de empreendedores com conteúdo de alta qualidade.

Leia também:

Compras e vendas x desafios da gestão comercial do varejo
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