Não é segredo para ninguém que a China é uma das principais potências comerciais do mundo e o avanço do novo coronavírus vem trazendo algumas incertezas para a economia global. O vírus já causou mais de 1,1 mil mortes na China e quase 45 mil casos de contágio até o boletim divulgado na última quarta-feira (13). No Brasil, são investigados 11 casos suspeitos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o estado de São Paulo, com seis notificações.

Maior parceiro comercial do Brasil, a China lidera o ranking de importações e exportações para o País. Entre os principais produtos exportados estão soja, petróleo e minério de ferro, sendo o preço dos itens impactado em virtude da demanda em queda.

Os produtos importados da China com maior frequência estão algodão, vestuário, químicos, refrigerados, telefone celular, ar-condicionado, entre outros. Em entrevista sobre o tema no final de janeiro, o secretário de Comércio Exterior e Relações Internacionais, Marcos Troyjo, avaliou que o Brasil está preparado para enfrentar eventual crise econômica causada pelos efeitos do surto de coronavírus.

“Nós estamos acompanhando com bastante atenção, porque é natural que haja uma preocupação quanto aos rumos da economia mundial e queremos entender qual a dimensão dessa ameaça. No entanto, no Brasil a gente está bem preparado, nós temos diversificação das nossas exportações, da nossa corrente de comércio […] nós não temos sinalização de nossas exportações que estejam sofrendo qualquer tipo de impacto mais significativo por conta disso. Vai depender muito da evolução”, comentou Troyjo.

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Mas embora o governo brasileiro tenha adiantado que não há, a princípio, riscos diretos à economia local, especialistas temem um cenário de desaceleração. Conforme análise do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), o impacto do coronavírus sobre o Produto Interno Bruto (PIB) chinês será negativo e, consequentemente, também acabará afetando a economia dos demais países.

Isso quer dizer que as exportações brasileiras podem sofrer diminuição afetando principalmente as compras da China. O desempenho lento do setor de exportação deverá complicar ainda mais a difícil recuperação do setor industrial, além de subtrair alguns pontos de crescimento da produção agropecuária.

PIB em revisão por conta do coronavírus

Com o enfraquecimento da balança comercial e considerando que a China tem grande influência sobre os preços das commodities, o setor financeiro já revisa o PIB brasileiro. O banco suíço UBS abaixou a previsão de crescimento do PIB para 2020 de 2,5% para 2,1%.

O BNP Paribas acredita que o cenário compromete a previsão anterior de alta, de 2%, e apontou que os setores de agricultura e de agroindústria devem ser os mais impactados. Já o Bank of America reduziu a projeção de 2,4% para 2,2%.

E o varejo?

Ainda é muito cedo para avaliar impactos diretos no varejo brasileiro a partir das importações dos produtos chineses. Contudo, alguns setores começam a sentir algumas dificuldades como é o caso de vestuário uma vez que cerca de 30% dos itens vendidos pelas grandes redes são importados do país asiático.

A rede Pernambucanas, por exemplo, informou que já vê impacto nas importações desde a epidemia do coronavírus, mesmo reforçando que ainda não há desabastecimento de produtos nas lojas.

Há um alerta também para o setor TEI que sinaliza que os estoques de peças e equipamentos eletrônicos oriundos da China devem durar, em média, 15 dias. Se o abastecimento não for normalizado, se estima uma nova alta nos preços.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) fez um levantamento com as empresas fabricantes de produtos do setor eletroeletrônico e apontou que 52% das entrevistadas já apresentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China, destaque para celulares e computadores. A falta de insumos a médio prazo poderá acarretar até paralisação nas produções e deixar o varejo ainda mais desabastecido.

Foto Imprensa/GEPR – Movimentação de contêineres com produtos no porto de Paranaguá

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