Sebrae Flavio Germano Petry

Em tempos de Covid-19 ou não, apoiar o comércio local sempre foi uma prática do Sebrae que criou o movimento Compre do Pequeno. É comprando desse nicho do mercado que a economia local se mantém aquecida e consequentemente surgem outras questões positivas, como a geração de empregos, estimula a circulação do dinheiro na região onde o empreendimento está localizado proporcionando mais desenvolvimento local, entre outros.

Comprar do pequeno é fazer com que esse nicho continue desempenhando importante papel na economia brasileira. Eles representam cerca de 99% de todas as empresas do País e respondem por aproximadamente 30% de todas as riquezas geradas no Brasil.

Essa potência também se traduz na geração de empregos. Em 2019, segundo análise do Sebrae feita a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os pequenos negócios terminaram o ano com um saldo de 731 mil postos de trabalho, número 22% acima do registrado em 2018.

Para entender como funciona o movimento Compre do Pequeno, o Portal Vitrine do Varejo entrevistou o Flávio Germano Petry, especialista em Varejo do Sebrae. Confira:

O incentivo de comprar do pequeno varejo sempre foi uma das frentes do Sebrae?

O apoio à prática do empreendedorismo sempre foi a missão principal do Sebrae. Nesse contexto, a instituição não apenas dá suporte aos donos de pequenos negócios com o desenvolvimento de conteúdos, oferta de consultorias, disponibilização de orientação técnica, apoio à implementação de políticas públicas, dentre outras iniciativas, disseminando na sociedade a importância do empreendedorismo. Por meio da difusão da cultura empreendedora, o Sebrae estimula a população brasileira a ver essa prática como fundamental para a saúde econômica do país e tem estimulado a adoção de atitudes como a de dar prioridade aos pequenos negócios no momento da compra de produtos e serviços.

Com a Covid-19, esse movimento de comprar do pequeno foi intensificado?

Sim, o Sebrae vem atuando em conjunto com diversas instituições e empresas parceiras no sentido de estimular o ato de priorizar as micro e pequenas empresas de bairro no momento da compra. Exemplo disso foi a ampla campanha publicitária difundida pelo Sebrae nos principais canais de TV e mídias sociais, onde explicávamos a importância de apoiar esses pequenos negócios como forma de manter o emprego e a economia nesse momento de crise.

Em resumo, o Sebrae vem ressaltando que os negócios locais são o combustível de toda a economia, e que promover esse tipo de consumo gera ganhos para toda a região, pois ajuda a estabelecer um comércio mais justo, desde o pequeno agricultor até o restaurante da esquina, criando mais empregos e melhor distribuição de renda.

Comprar do pequeno negócio faz o dinheiro circular pelo seu bairro, o que propicia mais desenvolvimento local. Além disso, o consumo local afeta até o trânsito, já que produz menos deslocamentos pela cidade, além de contribuir para o meio ambiente, com a redução da emissão dos gases poluentes de carros e ônibus.

Como ressaltar a importância do consumo consciente, seja em tempos de crise ou não?

O consumo consciente é uma atitude que se aprende na escola e no ambiente familiar, logo a partir da infância. É certo que não é rotina de boa parte das famílias brasileiras falar sobre dinheiro e seu uso devido – muitas famílias, inclusive, não abordam esse assunto por serem desprovidas de recursos.

Por isso, o Sebrae tem se preocupado em contribuir com uma formação mais realista de como se lidar com os recursos que se conquista. Nesse sentido, o PNEE – Programa Nacional de Educação Empreendedora – criado em 2013, pelo Sebrae, tem ampliado suas estratégias com os jovens da educação formal que já atende, nas parcerias estabelecidas com os sistemas públicos e privados de ensino, oportunizando a eles o acesso a materiais de Educação Financeira. Isso porque esse tema é de fundamental importância na formação de potenciais empreendedores.

Para tanto, buscou-se parcerias com instituições que já tenham ações consolidadas nessa temática, como é o caso do CONEF – Comitê Nacional de Educação Financeira – vinculado ao Banco Central e que disponibiliza produtos e serviços que atendem a formação de potenciais empreendedores.

Entendemos que independentemente da crise, é fundamental desenvolver nas crianças e jovens as capacidades de compreensão da importância da educação financeira para a concretude do futuro desejado; o conhecimento de instrumentos básicos de controle e organização das finanças pessoais; a reflexão sobre suas atitudes e comportamentos em relação à educação financeira; a tomada de consciência da sua situação financeira atual; a predisposição para revisar as ações do presente e os seus reflexos no futuro desejado e o reconhecimento da importância da autonomia financeira.

O Sebrae tem soltado pesquisas que mostram o impacto da Covid-19 no pequeno varejo. Muitos já sentem financeiramente a crise. Como ajudá-lo e como fazer com que as pessoas comprem desse público?

O Sebrae vem atuando em parceria com o governo federal, Congresso e os governos estaduais e municipais, no sentido de desenvolver um conjunto de medidas que possam dar suporte aos pequenos negócios nesse momento de crise, em que as medidas de isolamento social geraram uma retração do consumo. Nesse contexto, vale destacar iniciativas de redução da burocracia, ampliação do acesso a crédito, flexibilização dos prazos para pagamento de tributos e de normas trabalhistas, entre outras medidas que estão dando mais fôlego aos donos de micro e pequenas empresas.

Por outro lado, tem sido importante a estratégia adotada pelo Sebrae e parceiros, no sentido de estimular a população a fazer suas compras nos pequenos negócios de bairro que permanecem abertos. Essas empresas estão se reinventando, adotando medidas inovadoras, de modo a continuar operando apesar da crise do coronavírus. E elas precisam do nosso apoio neste momento.

Uma pesquisa realizada recentemente pelo Sebrae mostrou que quase 60% dos pequenos negócios tiveram de interromper o funcionamento temporariamente e para 73% dos donos de micro e pequenas empresas, a situação das finanças já era ruim ou razoável antes mesmo do início da crise. Com as medidas de isolamento social determinadas pelas autoridades de saúde, o faturamento mensal das empresas registrou queda em 87,5% das pequenas empresas pesquisadas e 55% já percebiam a necessidade de pedir empréstimos para manter o negócio em funcionamento sem gerar demissões.

O pequeno varejo representa uma grande parcela na economia brasileira. Como fazer as pessoas entenderem essa potência?

Os micro e pequenos negócios representam cerca de 99% de todas as empresas brasileiras e respondem por aproximadamente 30% de todas as riquezas geradas no país. Essa força também se traduz na geração de empregos. Em 2019, segundo análise do Sebrae feita a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, os pequenos negócios terminaram o ano com um saldo de 731 mil postos de trabalho, número 22% acima do registrado em 2018. Já as médias e grandes empresas encerram o ano com um saldo negativo de 88 mil vagas, quase o dobro do registrado em 2018.

O Sebrae vem trabalhando ao longo dos anos, por meio de diversas iniciativas, sempre com o objetivo de difundir esse conhecimento junto à sociedade. Isso se dá, por exemplo, através de ações como a difusão da cultura empreendedora nas escolas, a formação e qualificação dos empresários e das diversas ações de comunicação do Sebrae junto aos meios de comunicação tradicionais e às mídias sociais.

Eles também são responsáveis por empregar muita gente no país, certo? Se não há essa valorização de comprar do pequeno, acaba que o funcionário também é prejudicado?

Sem dúvida que a queda do consumo provocada pelas medidas de isolamento social atinge diretamente as pequenas empresas e – por consequência – a capacidade desses negócios de gerarem empregos. Sabemos que a parte mais expressiva do custo das micro e pequenas empresas é exatamente de pessoal. Desse modo, todo esforço do Sebrae e dos governos tem sido no sentido de que os empreendedores tenham o suporte necessário de crédito e orientação financeira para que tenhamos o menor volume possível de demissões.

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