O momento é de cautela, mas também de repensar nos negócios. Ainda que estejamos diante de um futuro incerto por conta da pandemia do novo coronavírus, o varejo brasileiro já pode se preparar para uma mudança de rotinas no setor pós-crise. O que se espera do mercado é que a competitividade vai ser um ponto alto do segmento quando toda essa crise passar.

Será preciso inovar nas iniciativas e nas ações para atrair o consumidor, que já está mudado. Muita gente, por exemplo, deve continuar evitando locais aglomerados e devem cada vez mais recorrer ao delivery e aplicativos para efetuarem suas compras principalmente de itens alimentícios.

Modo de comprar x competitividade

As medidas de distanciamento social orientadas pelos órgãos governamentais e de saúde acarretaram em alteração no modo de comprar. Em estudo feito pela P&G no mês passado, 37% das pessoas confirmaram que passaram a comprar de forma diferente. Os consumidores responderam que usam mais os serviços de delivery, trocam marcas e visitam mais lojas para encontrar os produtos que precisam.

Os dados da Ebit|Nielsen também confirmam esse cenário. Segundo pesquisa feita pela consultoria, a participação do segmento de alimentos, bebidas atingiu 7% entre os dias 19 e 25 de março contra o percentual de 5% registrado do início do ano até o começo do mês em questão.

Com base nesse comportamento, os varejistas precisam trabalhar para oferecer um serviço de entrega eficiente e assegurar a boa experiência para o consumidor. Porque, ao que tudo indica, a necessidade que forçou o consumidor a mudar o estilo de comprar também pode ser o impulso para que ele adote a ferramenta com maior frequência até após a crise.

Comparando a China

A China, que volta a se estabilizar e apresenta bons sinais de recuperação, já tenta se preparar para esse novo perfil no cenário pandêmico. Um levantamento feito também pela Nielsen no país identificou algumas situações que podem ser observadas e, inclusive, estendidas ao resto do mundo, incluindo o Brasil.

A sondagem demonstrou que 67% dos varejistas declararam que aumentarão investimentos em canais e aplicativos online para os consumidores. Além disso, 53% responderam que ajustarão o mix de produtos com a inclusão de mais itens de saúde e segurança ante à grande tendência para maior procura de produtos de higiene e limpeza. Outros 43% dos varejistas chineses que responderam à pesquisa afirmaram que trabalharão nas suas cadeias de abastecimento.

Outros cenários

Muitas empresas de consultoria do setor varejista nacional e internacional também estão realizando diversos levantamentos para entender o que se esperar do setor após a crise e como o mercado terá que se readaptar a essas mudanças.

Entre os principais aspectos levantados estão a pressão para rever práticas arcaicas que travam o desempenho dos processos internos, equipes, até o resultado da loja. O cenário pandêmico também passa a reforçar a importância dos varejistas e gestores confiarem mais nos funcionários e dar autonomia dentro da empresa.

Também é destacada a necessidade que ocorrerá para acelerar o desenvolvimento de novos serviços e produtos e, se for o caso, adaptar aqueles que já eram implantados e agora demandam mudanças para atenderem as novidades. Até porque, como já dissemos, o comportamento de compra do consumidor com certeza estará mudado quando tudo voltar ao normal.

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