A legislação que instituiu o novo Cadastro Positivo já impacta nessa fase inicial 89 milhões de consumidores e 4,5 milhões de empresas, sendo mais de 400 milhões de operações financeiras já realizadas no País. O Cadastro Positivo funciona como um banco de dados que reúne informações de consumidores com um bom histórico de pagamentos.

Com os dados disponíveis no sistema, os gestores de bancos de dados contam com o acesso a informações sobre empréstimos quitados e pagamento de contas em dia, formando uma nota de crédito que poderá ser consultada para a avaliação de risco na concessão de financiamentos, empréstimos e ou até para vendas no crediário. Sobretudo, a medida é uma forma de tornar o acesso a linhas de crédito mais fácil e com juros bem inferiores para consumidores e as empresas que estão em dia com as finanças.

Dados levantados pela Quod, empresa no ramo de análise de crédito criada a partir dos cinco bancos com maior atuação no Brasil (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú-Unibanco e Santander), mostram que atualmente há 65 instituições financeiras fontes das informações a partir do novo Cadastro Positivo.

O Portal Vitrine do Varejo entrevistou, com exclusividade, o presidente da Quod, Luiz Flaviano dos Santos, que explica mais sobre o Cadastro Positivo e qual o impacto da legislação na vida dos varejistas e dos próprios consumidores. Confira:

Quais as vantagens para as duas partes envolvidas com a implantação do Cadastro Positivo?

O cadastro positivo possibilita, para empresas e instituições financeiras, uma análise mais justa e completa do risco de crédito. Com mais dados disponíveis para compor essa análise, teremos uma redução da assimetria de informações entre as organizações – desde fintechs até instituições que concedem crédito ou tomam riscos comerciais – e, consequentemente, um ambiente de crédito mais competitivo.

Para os consumidores, o acesso ao histórico de pagamentos e serviços continuados permite a inclusão de cidadãos antes excluídos em função dos altos custos, diferenciando, por exemplo, pequenos atrasos de dívidas que de fato constituem inadimplência grave. O consumidor passa a ter maior controle de suas finanças pessoais, maior consciência sobre suas informações de crédito e maior poder de barganha com as instituições financeiras. Com maior conhecimento de sua performance, ele poderá buscar melhores ofertas de crédito.

Além de todos esses efeitos, a possibilidade de consumidores acompanharem suas informações de forma transparente traz um benefício adicional relevante no que diz respeito à mudança de comportamento da população em relação ao crédito, com mais consciência e educação financeira, contribuindo diretamente para queda da inadimplência e do superendividamento.

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O Cadastro Positivo já é adotado em países desenvolvidos da Europa, Estados Unidos e até em nações emergentes, como México e Coreia do Sul. Nessas localidades eles avaliam o processo como uma evolução para o mercado de crédito. Qual a visão do senhor para o Brasil?

Com a nova legislação vigente no Brasil, estamos desenvolvendo uma prática de compartilhamento internacionalmente já aplicada, de muito valor no processo de concessão de crédito e tomada de decisão de risco. De fato, e finalmente, o Brasil entrou para o rol de países que compartilham informações para gestão do crédito e risco de maneira estruturada, ampla e bastante moderna. O Cadastro Positivo pode revolucionar o País nos próximos dez anos, com a possibilidade de conceder R$ 1 trilhão em crédito novo. O modelo de score de crédito já gerou resultados impressionantes em outros países como México, Chile, EUA, Alemanha e China, e agora é nossa vez.

Existe algo que o comércio tenha que avaliar na hora de consultar o cadastro de um consumidor?

As empresas interessadas avaliam o histórico de pagamentos dos consumidores – que inclui informações como valor de compras feitas e data das parcelas pagas – analisando-os de acordo com os próprios critérios. Dados relacionados à pontualidade de pagamento, nível de endividamento do consumidor e a sua estabilidade de consumo de crédito são importantes e podem facilitar a tomada de decisão das instituições. Vale ressaltar que informações específicas como os itens comprados ou o local onde a compra foi realizada não são exibidos no cadastro.

Em um segundo momento, empresas do varejo poderão enviar os dados dos consumidores para o Cadastro Positivo. Muitos lojistas são de pequeno porte e com essa consulta eles passam a ter mais segurança ao ofertar ou não crédito?

Com toda certeza. As informações do histórico financeiro da população possibilitam uma análise dos pagamentos e serviços continuados a médio e longo prazo, e resultam em uma avaliação mais completa, justa e assertiva. As instituições passam a ter mais autonomia e poder de decisão na hora de conceder crédito – o que possibilita, a critério de cada uma, negociações com melhores condições comerciais e mais segurança.

Qual a segurança que o consumidor tem que seus dados não serão utilizados de forma indevida pelas empresas?

Todas as informações coletadas seguem à risca os direcionamentos da legislação. Os dados coletados somente podem ser disponibilizados para instituições que destinem seu uso exclusivamente para análise de concessão/extensão de crédito (financiamentos, empréstimos e crediários) ou transações que impliquem risco financeiro. Nos termos da nova legislação, as informações serão utilizadas apenas para compor o score. Se uma empresa quiser ver o histórico de crédito detalhado será necessária uma autorização prévia do consumidor. A empresa que fizer qualquer uso indevido de dados enfrentará penalidades bastante duras já previstas na lei.

Como funciona para atualizar/aumentar a pontuação do consumidor?

A pontuação do score de crédito da Quod varia de 300 a 1.000 e é calculada no momento da consulta, ou seja, pode variar de um momento para o outro. Somos o único birô do mercado com capacidade computacional e analítica capaz de realizar esse cálculo instantâneo do score incluindo novos dados que podem ter acabado de chegar. A variação é influenciada diretamente pelo comportamento do consumidor. Os consumidores podem melhorar seu perfil por meio de informações favoráveis, como a sua capacidade de pagar as contas em dia e de não deixar as dívidas comprometerem a sua capacidade de pagamento. Cada birô de crédito usa uma escala própria para classificar os consumidores, mas os dados colhidos são os mesmos. Além dos dados relacionados à pontualidade de pagamento, informações que refletem o nível de endividamento do consumidor e a sua estabilidade de consumo de crédito também são importantes.

Como o comerciante faz para ter acesso aos dados do cadastro?

Os clientes só podem utilizar o Cadastro Positivo através de uma das empresas Gestoras de Bases de Dados autorizadas pelo Banco Central. A Quod é a mais nova delas e foi criada especificamente com a finalidade de impulsionar o Cadastro Positivo no país. Temos uma plataforma tecnológica de big data que é inédita no país e utilizamos inteligência artificial para o processamento das informações. Nós viemos para ampliar a concorrência neste mercado, subir a régua da segurança e ofertar produtos inovadores com modelos de negócios flexíveis e preços justos.

Sobre Luiz Flaviano dos Santos

Foi contratado pela Quod ao final de 2016 para liderar a área de Operações da empresa. Anteriormente, atuou como Presidente da Concentrix no Brasil e trilhou 27 anos em posições de liderança na IBM, incluindo o cargo de Presidente para a Colômbia e diversas posições de liderança na companhia no Brasil e no exterior.

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